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Sempre Leia o Original – Página: 3 – Comunitarismo Brasil

Sempre Leia o Original

Na época, eu queria ser físico nuclear.

Infelizmente, livros nunca entram em greve para alertar sobre o total abandono em que se encontram nem protestam contra a enorme falta de bibliotecas no Brasil.

Visitei no ano passado uma escola secundária de Phillips Exeter, quando meu filho Roberto Kanitz, fez um curso de verão. (Tirou 3 As numa das melhores escolas preparatórias para Harvard do EUA, para a alegria do pai.)

Phillips Exeter fica numa cidade americana de 30.000 habitantes, no desconhecido Estado de New Hampshire.

O Roberto me mostrou com orgulho a biblioteca da escola, de NOVE andares, com mais de 145.000 obras. A Biblioteca Mário de Andrade, da cidade de São Paulo, tem 350.000. A bibliotecária americana ganhava mais do que alguns dos professores, ao contrário do que ocorre no Brasil, o que demonstra o enorme valor que se dá às bibliotecas nos Estados Unidos.

Não quero parecer injusto com os milhares de professores que incentivam os alunos a ler livros e a frequentar bibliotecas.

Nem quero que sejam substituídos, pois são na realidade facilitadores do aprendizado, motivam e estimulam os alunos a estudar, como acontece com a maioria dos professores do primário e do colegial.

Mas estes estão ficando cada vez mais raros, a ponto de se tornarem assunto de filme, como ocorre em Sociedade dos Poetas Mortos, com Robin Williams.

Na próxima aula em que seu professor fizer o resumo de um livro só, ou lhe entregar uma apostila mal escrita, levante-se discretamente e vá direto para a biblioteca.

Pegue um livro original de qualquer área, sente-se numa cadeira confortável e leia, como se fazia 500 anos atrás. Você terá um relato apaixonado, aguçado, com os melhores argumentos possíveis, de um brilhante pensador. Você vai ler alguém que tinha de convencer toda a humanidade a mudar uma forma de pensar.

Um autor destemido e corajoso que estava colocando sua reputação, e muitas vezes seu pescoço, em risco. Alguém que estava escrevendo apaixonadamente para convencer uma pessoa bastante especial:

Você.

3 Comentários em Sempre Leia o Original

  1. ste artigo fala da importância das Bibliotecas Públicas. Eu sempre fico impressionado quando vou na casa de alguém e não encontro um único livro à vista (principalmente pessoas com formação superior). Eu gasto uma parte importante do meu salário em livros. Tudo bem, meu salário é um dos melhores do país e não se pode exigir de quem ganha a suficiente para não passar fome que gaste seu precioso dinheiro com livros. Mas o paradoxo aqui é é que se eu ganho de sobra para comprar muitos livros é por que os livros sempre tiveram importância enorme na minha vida…

  2. Acredito que o livro e até mesmo a biblioteca, está se transformando, quando você diz ‘quantas vezes seu filho foi a biblioteca’ que nos traz reflexão do descaso da geração moderna para com a biblioteca como fonte de conhecimento, acredito que essa fonte de conhecimento vem-se transformando,

    mais e mais pessoas utilizam o google para descobrir coisas novas, vêem videos o youtube, desde como montar seu proprio aquario marinho, fazer receita de um bolo, ver o novo trailer de um filme, ver aquela piada do ano, enfim. a fonte de informação e conhecimento vem se modificando

    dentro de um livro voce encontra letras e imagens sobre um assunto.. porém dentro de um meio digital.. voce encontra interatividade, musica, video, poesia e até comunidades inteiras sobre o assunto pretendido.. e é por isso que as bibliotecas vem se esvaziando cada vez mais…

    aquele filho que vai pouco a biblioteca, pode nunca ter lido sobre múmias, mas já pode ter vivenciado uma experiência de estar na própria pele de uma múmia através de um jogo de video game.. ou feito uma pesquisa rápida no google.. ter traçado uma rota no google maps ou no gps.. da sua casa até o egito.. e navegado por dentro de piramides e andando pelas ruas do egito no google earth..

  3. Excelente artigo caro Kanitz; Você foi no/ao cerno do problema. Enquanto continuarmos – no Brasil – adotando a “Pedagogia Paulo Freire”, teremos cada vez mais professores “babás” estrangulando o instinto investigativo dos alunos. Tudo vem “mastigado” em resumo(s).

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