E não serão os neoliberais que irão exigir isto. Serão a extrema esquerda e a esquerda, que por serem Éticas e Responsáveis não irão querer para si a decisão de vida e morte para seus contribuintes.
A desestatização não significa a entrega de hospitais para o setor eficiente, mas simplesmente a entrega da decisão de saúde para o indivíduo, para que o próprio cidadão tenha de decidir quanto gastar em saúde e quando estabelecer um basta nos custos de preservação da vida.
Conheço uma família onde o pai não deixou instruções para a família de quando puxar o tubo no caso de um acidente com ele, e 100% do patrimônio familiar foi gasto em médicos na vã tentativa de salvá-lo.
Difícil problema ético e filosófico que estes avanços da Medicina vão nos obrigar a enfrentar.
Ou será que esta decisão deva ser tomada pelo governante, ponderando os custos médicos versus os impostos futuros que o paciente poderá ainda proporcionar?
Por ser uma decisão de foro íntimo, é a família que terá que tomar estas decisões, não o Estado.
Individualizando a questão da saúde, ficando cada vez mais claro que vida depende cada vez mais de poupança e reservas mantidas justamente para este fim, algumas fantásticas mudanças irão acontecer.
Passaremos a uma Medicina preventiva, infinitamente mais barata, ao invés de uma Medicina curativa, intervencionista e cara.
Se o Estado cuida de nossa saúde, curando todas as nossas doenças, por que parar de fumar, fazer exercícios e regime?
Se o indivíduo cuidará da sua saúde, o que fazer com todo o aparato montado de Saúde Pública?
Ela se concentraria naquilo que somente o Estado pode fazer – campanhas de vacinação obrigatória, saneamento de focos epidêmicos, pesquisa médica de doenças raras e tropicais, promoção de congressos na área de Medicina preventiva – já que nenhuma indústria de remédios subsidia este tipo de congresso.
Saúde Pública tem muitos adeptos, defensores, ativistas e propagandistas.
Saúde Pessoal tem muitos detratores, inimigos e sabotadores.
Porém, ambas terão de refletir nos próximos anos a dura questão filosófica: Quem decide em última instância sobre quanto tempo cada um pretende viver?
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